segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Desabafo detrás da porta!

O rosto derretido, de longe, parece harmonioso com a coluna torta; as mãos estão trêmulas e os lábios pujantes. O eixo não se encontra, mais parece um pêndulo entre o passado e o futuro. A mira da sua escuta está nos sapatos, toques diversos ao chão alimentam uma saliva que escorre na pele, tamanha sua vontade de vida alheia. Todos as sílabas estão naquelas organizações imensas de nomes... Quantos nomes e quantas histórias distintas este olhar já captou? Ora, são anos de experiência, a menina mora atrás daquela porta desde que percebeu não gostar do mundo. A pulsação dos sapatos naquele corpinho fraco de se olhar é percebida pelas formigas e por todos os ignorados. As invenções, de todos os tipos estão por aí no mundo, qual é o problema, então, de ouvir o bonito nos sapatos feios? É como se salvas fossem todas aquelas vidas, ao menos no mundo dela. Admito haver dias em que penso na inexistência do pêndulo, o presente precisa chegar, não é? Meu rosto derrete porque as pernas já cresceram em demasia, não caibo mais na porta como outrora; como menina; como vida.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O que tá faltando?

Tá faltando uma coisa que eu já vivi, mas não sei dizer o quê.

Tá faltando o cheiro bom que nasce do nada, do nosso nada, que permeia os melhores momentos e nos guarda as melhores lembranças.

Tá faltando o nossa olhar em direção ao lago, e que vê o melhor mundo que poderia existir.

Tá faltando nossa vibração perante todas as coisas, até mesmo numa caminhada sem chegada prevista.

Tá faltando um grito disparado a qualquer canto e que é transformado pelo mais improvável ser que o consiga escutar.

Tá faltando o que vai contra a gravidade, tá faltando o viscoso, e a dor, e o amor, e ainda mais dor, sempre mais dor... Tá faltando Vida.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Não me olhe!

O mais novo comentário nas esquinas é o de que me tornei uma garota bonita... Eu queria que todos fechassem os olhos durante a minha passagem e começassem a me cheirar. Eu tenho um cheiro bom, ninguém me disse,mas eu sei. É mais seguro me cheirar do que me ver, eu garanto. Descobri um sabor novo recentemente e, contra o que eu penso, eu busquei o passado nele. Do que me adianta matar todos os dias você em mim, se até no suposto novo eu te encontro? Você parecia saber o que eu exalava, eu gosto disto... Talvez este novo seja um medíocre, desconhece meu cheiro por todos os cantos, em tudo que há em mim.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O que me imobiliza.

É o meu tempo de falsidade, não queria vê-la próxima de mim... O que fazer quando o único capaz de me tocar no amor nem tem qualquer pele perto da minha? Maquilo sorrisos que só machucam minha face e meus dizeres estão longe de serem verdadeiros, são antes idealizados. Minha carne está costurada, e possui uma absoluta pressão, o que está dentro quer ser exposto, mas há algo que o trava. A rejeição me calou para você e a tristeza se apossou de mim. Reconquistei o olhar que eu tive durante meus 11 anos: o de uma menina solitária que é incapaz de movimentar o amor.

O movimento desejado

Preciso ser rasgada em todos os meus ângulos, sinto uma fúria em mim que pede isto. Eu não sei me deixar ser acometida pela mudança, logo eu que creio necessitar tanto dela. Há horas penso que até sua pena me deixaria feliz, justamente o sentimento que sempre repudiei. Quão alto está o meu nível de inferioridade como ser? Até mesmo o ódio eu aceitaria com bons olhos se este viesse de você. E a ventania que chega levando tudo, fazendo bagunça? Por que não se aproxima de mim? Quero ser rasgada de novo, mas involuntariamente impeço o ato que poderia me salvar. Gostaria de mandar em mim mesma um dia, assim deixaria de só esperar na vida.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sujeira Solitária

Adoeceram meus ouvidos as tuas palavras, o seu estar vivendo numa ilusão, para mim é visto como a mais prazerosa dor. Tenho me notado dentro de uma concha sensível, espero por um milagre. Penso nas sombras nas paredes e me vejo em qualquer uma delas... Quem as percebe? Talvez eu e mais alguns por aí como você! Já tentei dissipar todo o sentir que há em mim, mas a sujeira esconde-se embaixo do tapete, na lateral da porta do meu quarto e em lugares que nem mais eu encontro. São tantos perdidos por aí... Meu lixo orgânico está crescendo sem par e sem possibilidades de encontro.

O quem que você não vê


Tem muita respiração te olhando, uma pena você não sentir os meus pés neste meio. Pensei em um segundo especial em ver a vista da janela da minha sala de modo extraordinário, mas a coragem me faltou e meus membros ficaram intactos. A solução para sua falta de percepção ou minha destinação a ser oculta talvez esteja na linha alta do improvável. E no caminho do seu rastro eu ainda espero você olhar para trás.